domingo, 10 de julho de 2011

APRESENTAÇÃO

Esse blog surgiu a partir de uma sugestão da professora Maysa Ornelas e tem o objetivo de refletir sobre as políticas públicas para a educação infantil no Brasil, bem como sobre a história da educação infantil. Aqui estarão postados textos e reflexões da disciplina História da Infância e Políticas de Educação Infantil no Brasil.

CONTINUIDADE:

 De agora em diante, aqui serão postados textos, reportagens,  reflexões e imagens de tudo que se referir à infância e  à educação.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Linha do Tempo

 

 

- Educação Infantil no Brasil - 2007 a 2011 - Elaboração: Profª Maysa e as alunas: Andréia, Débora, Gina, Luana, Rosemayre e Obetisa.

 

2007 > MEC cria o programa de formação docente
PROINFANTIL, em nível médio, para professores leigos

2008 > A Lei nº 11.700, de 13 de junho de 2008, acrescenta inciso X ao caput do art. 4º da Lei 9.394/96, assegurando vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima da residência a toda criança a partir dos 4 (quatro) anos de idade.

2008 > MEC amplia o Programa Nacional Biblioteca na Escola para Educação Infantil.

2008 >  Revisadas as Diretrizes Curriculares nacionai para a Educação Infantil. Parecer CNE/CEB nº 20/2009, homologado em 09/12/2009.

2008 >  O programa ProInfância investe na construção de 1021 escolas.

2009 > MEC lança o documento: Indicadores da Qualidade na Educação Infantil.

2009 > MEC lança documento: Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças.

2009 > MEC lança documento Orie ntações sobre convênios entre secretarias municipais de educação e instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos para a oferta de educação infantil.

2009 > Revisadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Parecer CNE/CEB nº 20/2009, publicado no DOU de 09/12/2009.

2010 > O programa ProInfância supera a meta prevista de financiar a edificação de 500 unidades. O FNDE celebra convênios para a construção de 700 creches. O ProInfância passa a repassar recursos para equipar as escolas em fase final de construção.

2010 >  Celebrados convênios para a construção de 628 escolas de Educação Infantil. Além disso, o FNDE transfere recursos para mobiliar e equipar 299 creches.

2010 > Credenciamento e integração das Instituições de Educação Infantil aos sistemas de ensino.

2010 > Formuladas orientações para política de conveniamento na Educação Infantil.

2010 > Aprovada Lei nº12.101, de 27/11 2009 – CEBAS/ instituições que atuam na educação infantil.

2010 > Fortalecido o Programa Nacional de alimentação Escolar, com distribuição de materiais orientadores, elaborados pelo Ministério da Saúde, às IE e entidades ligadas à educação infantil.

2010 > Instituído e implementado o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) que subvincula constitucionalmente recursos ao número de matrículas da educação infantil informadas no Censo Escolar do INEP.

2010 > Executadas diversas pesquisas e estudos sobre educação infantil, entre elas: projeto de revisão de políticas e serviços na área de educação infantil; pesquisa sobre a Educação Infantil no Brasil: Avaliação Qualitativa e Quantitativa; estudo para subsidiar a revisão da base de dados do Censo Escolar relativo à Educação Infantil; mapeamento das IEI em Manaus; estudo sobre a alimentação escolar na Educação Infantil; estudo sobre o trabalho docente na educação infantil no Brasil.

2010 > Resolução CNE/CEB nº 01, de 14/01/2010, define Diretrizes Operacionais para a implantação do Ensino Fundamental de 9 (nove) anos.

2010 > Resolução CNE/CEB nº 06, de 20/10/2010, define Diretrizes Operacionais para a Matrícula no Ensino Fundamental e na Educação Infantil.

2010 > Portaria publicada no DOU de 24/05/2010, institui o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, a ser realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

2011 > Resolução CNE/CEB nº 1, de10/03/2011, fixa normas de funcionamento das unidades de Educação Infantil ligadas à Administração Pública Federal direta, suas autarquias e fundações.

2011 > Portaria Normativa nº 3, de 2 de março de 2011, institui, no âmbito do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, a Prova Nacional
de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente, a qual se constitui de uma avaliação para subsidiar a admissão de docentes para a educação
básica no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

2011 > Discutido e elaborado o Plano Nacional de Educação (2011-2020): meta de universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de Educação Infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

1. O QUE APRENDI COM A DISCIPLINA?

2. QUAIS FORAM OS IMPACTOS DA DISCIPLINA EM MINHA PRÁTICA DOCENTE?


     Essa disciplina me ensinou uma nova forma de ver as políticas públicas, não só para a educação infantil, como para todo o sistema educacional. No início, cheguei a pensar o quanto seria um assunto árido estudar sobre as políticas públicas, mas para a minha surpresa as aulas foram conduzidas de tal forma que as reflexões e as pesquisas se tornaram um canal para repensar a prática pedagógica de forma mais eficiente.

     Aprendi e revi alguns assuntos vistos em outros momentos da minha vida acadêmica e entre eles foi conceituar infância e criança sob o ponto de vista histórico. Dessa forma foi possível ver a educação infantil, ora refém, ora beneficiada por decretos, leis e resoluções.

     Certamente, houve impactos, a partir dos textos lidos, das discussões durante as aulas e nas pesquisas, destacando-se a década de 1960 a 1970 sobre a educação no DF; onde pude ver que Brasília extrapolou as linhas arquitetônicas do Plano Piloto, gerando uma necessidade urgente de escolas para atender à demanda, não apenas dos filhos dos funcionários públicos, mas dos trabalhadores vindos de outras regiões do país. E era impossível levar adiante a construção da nova capital sem a estruturação de um sistema educacional, que fosse modelo e ao mesmo tempo eficiente.

     No texto de Moysés Kullmann Jr., "Políticas para a educação infantil: uma abordagem histórica", é perceptível a influência das leis no cotidiano escolar, quando ele fala que o artigo 60 da Constituição de 1988 previa a erradicação do analfabetismo no ano de 1998 e universalizado o ensino fundamental e que esse artigo foi suprimido na emenda constitucional do Fundo de Valorização do Magistério. Textos como esse de Kullmann Jr. me faz ver a impossibilidade de levar adiante uma proposta pedagógica, alheia à discussões sobre verbas para a educação, às decisões tomadas por aqueles que são eleitos por mim; e que, influenciam diretamente as crianças, sua qualidade de vida, a minha formação como professora e, consequentemente, atingem as famílias brasileiras.






HISTÓRIA DOS DIREITOS DA INFÂNCIA


Gisella Werneck Lorenzi

1891- Proibição do Trabalho Infantil
Promulgada no Brasil a primeira lei - Decreto nº 1.313 - que determinava a idade mínima de 12 anos para o trabalho.

1919- Criação da 1ª Entidade Internacional de Apoio à Criança
Surge na Inglaterra a primeira entidade internacional cuja missão era proteger e cuidar das crianças vítimas da I Guerra Mundial. A entidade, chamada "Save the Children" ('Salvem as Crianças', em português), foi fundada pela pacifista inglesa Eglantyne Jebb com a finalidade de arrecadação de dinheiro para envio de alimento às famílias européias depauperadas pela guerra.

1923- Criação do Primeiro Juizado de Menores
Criado no Brasil o primeiro Juizado de Menores. Mello Mattos foi o primeiro juiz de Menores da América Latina.


1924- Aprovação da Declaração de Genebra
Aprovado o primeiro documento internacional sobre os direitos da criança, conhecido como "A DECLARAÇÃO DE GENEBRA”. Elaborado e redigido por membros da ONG “Save the Children”, é considerado o documento que deu origem à “Convenção dos Direitos da Criança” de 1989.


1927- Promulgação do Código de Menores
Promulgado no Brasil o Código de Menores, o primeiro documento legal para população menor de 18 anos, conhecido como Código Mello Mattos.


1930- Criação do Ministério da Educação
O Ministério da Educação, chamado Ministério da Educação e Saúde Pública, foi um dos primeiros atos do Governo Provisório de Getúlio Vargas.


1942- Criação do Serviço de Assistência ao Menor
Instituído no governo de Getulio Vargas, o SAM era um órgão do Ministério da Justiça que funcionava como um equivalente ao sistema penitenciário para a população menor de 18 anos.


1945 – Criação da ONU
A Organização das Nações Unidas, sucessora da Sociedade das Nações, surgiu com o propósito de manter a paz e a segurança internacionais, além de aprofundar a cooperação e o desenvolvimento entre as nações. Contou com 50 países fundadores.


1946 – Criação do UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância foi criado nodia 11 de dezembro. Os primeiros programas do UNICEF forneceram assistência emergencial a milhões de crianças no período do pós-guerra na Europa, no Oriente Médio e na China.


1948- Aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Promulgada em 1948 pela ONU, a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS é considerada um importante instrumento regulatório de abrangência internacional que ajudaria a evitar o surgimento de outra guerra das dimensões da II Guerra Mundial.

1950- UNICEF no Brasil
Instalado em João Pessoa (PB) o primeiro escritório do UNICEF no Brasil com programas de proteção à saúde da criança e da gestantes nos estados do nordeste brasileiro.


1959- Aprovação da Declaração Universal dos Direitos da Criança
A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, aumentou, através de seus 10 princípios, o elenco dos direitos aplicáveis à população infantil.


1964- Criação da Funabem A Fundação do Bem Estar do Menor, substituta do SAM, foi criada por lei no primeiro governo militar. Um de seus objetivos era o de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor. Ao longo de sua historia, a Funabem e as correlatas Febens estaduais tiveram diferentes evoluções. Algumas apresentaram inovações pedagógicas, enquanto outras mantiveram a linha autoritária e repressiva, configurando um espaço de tortura e de desumanização autorizado pelo estado.


1978- Sementes da Convenção dos Direitos da Criança
O governo da Polônia apresenta à comunidade Internacional uma proposta de Convenção Internacional dos Direitos das Crianças.
A convenção é um instrumento de direito mais forte que uma declaração. A declaração sugere princípios pelos quais os povos devem guiar-se. A convenção vai mais além, ela estabelece normas, isto é, deveres e obrigações aos países que a ela formalizem sua adesão. Ela confere a esses direitos a força de lei internacional, não sendo, no entanto, soberana aos direitos nacionais.


1979- Instituição do Ano Internacional da Criança
Definido pela ONU o ano internacional da criança.
Aprovação do Segundo Código de Menores
Revogado, o Código de Menores Mello Mattos é substituído pelo Código de Menores de 79 mantendo, no entanto, a mesma linha de arbitrariedade, assistencialismo e repressão junto à população infanto-juvenil.


1983- Criação da Pastoral da Criança
Em 1983 é fundada, em nome da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) a Pastoral da Criança. Com um importante engajamento , que vem desenvolvendo uma metodologia própria em que redes de solidariedade são formadas para a proteção da criança e do adolescente.


1985- Surgimento do MNMMR
Fundação em São Bernardo do Campo do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, entidade sem fins lucrativos que nasce com o compromisso de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros e com especial atenção aos meninos e meninas de rua.


1987 – Reunião da Assembléia Constituinte
A Assembléia nacional Constituinte, composta por 559 congressistas, foi instalada em 1º de fevereiro de 1987, sendo presidido pelo deputado Ulysses Guimarães. Um grupo de trabalho se reuniu para concretizar os direitos da criança e do adolescente na Constituição Brasileira. O resultado deste trabalho é o artigo 227, que será a base para a elaboração do Estatuo da Criança e do Adolescente.


1988- Promulgação da Constituição Federal do Brasil
Após 18 meses de trabalho da Assembléia Constituinte, é promulgada a Constituição de 88, considerada a “Constituição Cidadã”. Marcada por avanços na área social, introduz um novo modelo de gestão das políticas sociais que conta com a participação ativa das comunidades através dos conselhos deliberativos e consultivos.


1989- Aprovação da Convenção Internacional dos Direitos da Criança
Durante dez anos, um grupo de organizações não-governamentais foi encarregado pelas Nações Unidas de elaborar uma proposta para a convenção. Em 20 de novembro, a Assembléia Geral aprova, por unanimidade, o texto da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, um dos mais importantes tratados de direitos humanos, ratificado por todos os países membros da ONU com exceção dos Estados Unidos e da Somália..

1990- Promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente
Promulgado em 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) é considerado um documento exemplar de direitos humanos, concebido a partir do debate de idéias e da participação de vários segmentos sociais envolvidos com a causa da infância no Brasil. Apesar de representar uma grande conquista da sociedade brasileira, o Estatuto ainda precisa ser implementado de forma integral.


1990- Criação da Fundação Abrinq
A Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente foi fundada com a finalidade de promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da criança e do adolescente.


1992- Criação do CONANDA
O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente foi criado por lei federal em dezembro de 1992. Uma importante atribuição deste órgão é a formulação de políticas públicas e a destinação de recursos destinados ao cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Sua constituição se dá de forma paritária entre membros do governo e membros da sociedade civil organizada.


1995- I Conferência Nacional dos Direitos da Criança
Com a idéia de ampliar a discussão relativa aos direitos da criança e do adolescente, o CONANDA propôs a realização da primeira Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. As conferências passariam a acontecer a cada dois anos, de maneira seqüencial nos níveis regionais (no caso das metrópoles), municipais, estaduais e nacional.

Bibliografia:

COSTA, Antonio Carlos Gomes. É possível mudar: a criança, o adolescente e a família na política social do município. Editora Malheiros, 1993.
COSTA, Antonio Carlos Gomes. De menor a cidadão: Notas para uma história do novo direito da infância e juventude no Brasil. Editora do Senado, 1993.
DEL PRIORE, Mary. História das Crianças no Brasil. Editora Contexto, 1999 http://www.promenino.org.br/Ferramentas/Conteudo/tabid/77/ConteudoId/22c53769-abb5-4377-81a8-2beb4301a927/Default.aspx

quinta-feira, 24 de março de 2011

RESENHA
CRIANÇAS, INFÂNCIAS E EDUCAÇÃO
           
            A autora inicia o texto afirmando que a criança e a infância  são conceitos dependentes  do meio cultural e social, e sobre a transformação de ambos ao longo da história.
            E tudo o que se relaciona à criança foi se modificando à mercê da dinâmica econômica e social.
            Galvão cita Freitas e Kuhlmann Jr. (2002, p. 7) quando dizem que na tentativa de compreendermos a criança e a infância, temos opções: um olhar de fora, ou seja, a partir dos nossos próprios conceitos a respeito de tudo que se relaciona à criança; a segunda opção, seria vê-la como o outro num movimento de compreensão mais aprofundada sobre essa fase da vida.
            Entretanto, seja qual for a opção, haverá impacto profundo para a criança, bem como no seu modo de viver a infância, visto que isso envolve o lugar social da criança.
Isso também serve para entender a prática educativa das instituições de educação infantil desses locais. Portanto, a compreensão de criança e infância tanto servem para a produção de práticas educativas, como também alimentam determinadas concepções.
            Ao longo das épocas haverá discursos reveladores das idéias e expectativas acerca da criança.
            Ariés (1981), discorre sobre o tratamento dispensado às crianças, desde a Idade Média até os tempos modernos e demonstra como o conceito de infância tem se modificado através dos séculos, onde ora a criança era tratada como um “bibelô”, ora como um ser incompleto.
            De acordo com Ariés o “sentimento de infância “ não significa afeto e nem desprezo pelas crianças, mas a consciência das particularidades que distinguem uma criança de uma adulto. Na Idade Média, ainda cedo, a criança era integrada à rotina dos adultos, pois a civilização medieval não tinha idéia da educação.
            Segundo Ariés, as primeiras manifestações do “sentimento de infância” surgiram na família na forma de paparicação nos primeiros anos de vida.
            O autor enfatiza o surgimento o desagrado dos homens da lei em relação à paparicação à criança, que rejeitavam a idéia de criança como brinquedos encantadores, pois viam uma necessidade de preservar e disciplinar essas pequenas e frágeis criaturas de Deus. Nasce daí um outro sentimento de infância, pautado na moralidade e na disciplina, onde a criança passou a ser vista como um ser inocente, frágil, imaturo e incompleto, devendo, portanto, ser preparado para a vida adulta. Então a moralidade e a racionalidade tornaram-se o centro da educação das crianças.
            E durante todo o século XX esse sentimento de infância dominou com a concepção de uma quarentena, antes de a criança entrar no mundo adulto. No início dos tempos modernos, coube à escola essa função. Dessa forma, a instituição escolar passou a ser imprescindível à sociedade, oferecendo educação moral e intelectual às crianças.
            Na visão de Ariés, a noção de infância foi se impondo de tal forma numa concepção hegemônica que para a sociedade todas as crianças eram iguais: um adulto em formação. E coube à escola transformá-las em alunos, uniformizados, fora do convívio social, preparando-as moral e intelectualmente para serem adultos.
            A autora do texto cita Postman (2002) quando ele defende a tese de que a infância tal qual a conhecemos está desaparecendo e que no percurso da história da infância são identificados três grandes momentos: a invenção da infância com o advento da tipografia e o desaparecimento da infância com o surgimento do telégrafo.
            Postman destaca a tipografia como criadora de um mundo simbólico que exigiu uma nova concepção de adulto, pois foi com ela que surgiu um mundo permitido aos letrados; onde as crianças foram deixadas para trás. Depois disso, para se tornar adultos, os jovens teriam de aprender a ler e a escrever e para isso acontecer, a educação seria fundamental. E houve a reinvenção das escolas pela civilização européia, transformando a infância numa necessidade.
            A autora se remete às colocações de Dalhberg, Moss e Pence, quando dizem que as crianças foram colocadas dentro de um sistema onde tanto elas como suas habilidades são medidas.
            Ela toma Postman como referência para falar da forma como cada nação compreendeu a infância de sua própria forma e integrou_a à sua realidade de acordo com o cenário, seja econômico, religioso ou intelectual.
            Segundo Dahlberg, Moss e Pence , a educação das crianças estão baseadas na previsibilidade e padronização, com um caminho a ser traçado pela criança com um ponto de partida e outro de chegada, mas já determinado pelo adulto. Tendo como ponto de partida a preparação da criança para a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho na  estrutura econômica e social vigente. Esses autores rejeitam a idéia da criança como reprodutor de conhecimento, identidade e cultura e fazem a opção por compreendê-la como um co-construtor de conhecimento, identidade e cultura.
            Os autores alertam para o fato da criança vir despertando a atenção dos empresários, visto que, bem assistida e bem alimentada, constitui-se uma força de trabalho estável e qualificada. Sendo assim, o papel da escola é prepará-la a para o ensino obrigatório; entretanto, vale ressaltar que as crianças estão sendo atendidas e assistidas.
            Galvão nos conduz ao pensamento de Imbert quando diz que a criança não é vista em sua inteireza, mas de forma isolada: inteligência, sexualidade, motricidade, etc. Isso descaracteriza a criança como alguém com aptidão para a autonomia e para a independência.
            Dahlberg, Moss e Pence destacam a concepção da criança como suprimento do mercado de trabalho, surgida com a inserção da mulher - mãe - no mercado de
trabalho. Assim, a responsabilidade pelos cuidados com a criança seria de outra pessoa, e não da mãe, pois essa estaria no mercado de trabalho suprindo a mão de obra.
            Percebe-se, assim, os primeiros cuidados, não como algo primordial para a criança, mas como uma forma de manter sua mãe produtiva para atender às demandas do mercado.
            O texto cita Kramer quando diz que a criança não existe em si mesma, mas em função da sociedade de classes. Isso significa um indivíduo de pouca idade inserido numa situação de classe social.
            A abordagem de Dahlberg, Moss e Pence declara não existir algo como a criança e a infância, esperando em estado essencial, por uma definição do que as crianças são e devem ser. Isso nos levar a refletir sobre a necessidade de romper paradigmas, com um outro olhar e uma formar diferente de pensar a infância. Isso implica romper com concepções marcantes na construção da criança, como “vir-a-ser, tabula rasa”, “inocência em forma humana”, “adulto em formação” e outros conceitos que ressaltam a incompletude da criança.
            Larrosa lança o desafio de um pensamento em busca da compreensão da criança, propondo uma ruptura com perspectivas marcantes na história dessa categoria social. Esse autor destaca o olhar a infância como um outro de forma que inquiete as nossas certezas e o nosso saber não a alcança.
            Souza e Pereira afirmam que ao reconhecer a diferença no outro, recuperamos a dignidade de nos reconhecermos nos nossos limites.
            Segundo a autora do texto, tomar a criança como um outro requer concebê-la como um ser inteiro em si mesmo, capaz de expressar seus sentimentos, idéias e desejos. Dahlberg, Moss e Pence concordam com essa idéia e concebem a criança como um ser único, completo e individual, com identidade própria , participante da vida social e cultural. A  criança dever ser ouvida e ser considerada.
            Entretanto, Larrosa pondera que por mais que a infância nos mostre uma face visível, conserva um tesouro oculto significando que jamais poderemos esgotá-la.
            Sendo assim, entender a criança como um “outro” é vê-la a partir de uma multiplicidade de imagens e realidades sociais. Portanto, devemos optar por abrir espaços para que as crianças se manifestem e nos apresentem o seu mundo.
            A autora aborda várias concepções sobre infância e criança, permitindo assim vislumbrar a trajetória das abordagens ao longo da história. Com maestria ela apresenta visões  surgidas e depois vai conduzindo uma desconstrução de paradigmas acerca da criança e da infância, na medida em que deixa claro não se tratar apenas de uma fase da vida e de um ser humano em eterno devir, como um futuro que nunca chega e quando chega, sofreu deformações ao longo de sua trajetória.
            Galvão consegue nos tirar da posição de seres completos, enquanto adultos, prontos para moldar, disciplinar, inculcar conceitos na criança, para um posicionamento de profunda reflexão acerca do ser criança, com seus sentimentos, relacionamentos, numa abertura em que o adulto se descortina para conhecer a criança, ouvi-la e ser conduzido ao universo infantil, inserido num contexto social e cultural.


GALVÃO, Andréa Studart Corrêa. Educação Moral e Qualidade na Educação Infantil: desafios ao professor. Dissertação de Mestrado. Adapt. Brasília, UnB: 2005.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


 
UnB – UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
 CEEI - CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL
HISTÓRIA DA INFÂNCIA E POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL
PROFESSORA: MAYSA BARRETO ORNELAS
ALUNA: Mônica da Silva Alves
Esse blog tem o objetivo de refletir sobre as políticas públicas para a educação infantil no Brasil, bem como sobre a história da educação infantil. Aqui estarão postados textos e reflexões da disciplina História da Infância e Políticas de Educação Infantil no Brasil.

MEMORIAL
MINHA HISTÓRIA COM A EDUCAÇÃO INFANTIL

       A   minha vida escolar não teve um início com características típicas da educação infantil; o que não a tornou menos interessante ou significativa.
       Lembro-me bem do anseio para ir à escola, mas, primeiro, não havia Jardim de Infância acessível na minha cidade; segundo, a escola onde eu estudaria anos depois, não aceitava crianças abaixo de sete anos.
       Mas, conforme prometido pela minha mãe, certo dia, saí de casa rumo à escola, no turno  vespertino, debaixo de um sol muito quente, pastinha na mão, com "ABC", caderno, lápis e borracha...nem apontador eu tinha; eu já levava o lápis apontado. A escola era na casa de uma das amigas da minha família. A casa da professora, onde ficava a escola, era  grande e, em uma sala grande, havia uma mesa comprida com bancos e lá ficavam os alunos. Não havia um livro específico; alguns levavam cartilha e outros, o ABC, como eu.
         Aquele primeiro dia, foi marcante e parece que sinto até o vento soprando os meus cabelos longos, pelo caminho. O entusiasmo era grande: o meu desejo de desvendar o segredo das letrinhas era um sonho antigo. Lá havia muitas atividades de escrita e até tarefas para casa. Com essas lições do ABC, aprendi vários traçados de letras, bem como a juntá-las formando palavras.
           No ABC não havia figuras. Apenas na capa havia uma gravura com duas crianças uniformizadas, com o material escolar nas mãos. Mas eu nem me importava com isso; eu queria era aprender a ler...e aprendi.
            No ano seguinte fui para o 1º ano forte, lendo, escrevendo e registrando os números até 100 e ainda sabia fazer continhas. Aprendi tudo isso nessa escolinha improvisada, com uma professora dedicada e com a ajuda da minha mãe.
             O entendimento da época era de que Jardim de Infância era só pra brincar e colorir.
             Como professora, nunca atendi a turmas de educação infantil, mas em 1999 tive uma experiência singular: eu tinha duas turmas e uma delas era formada por 70% de crianças completando seis anos e o restante com uma faixa etária entre 8 e 12 anos. Mas, apesar de haver crianças de 6 anos, a turma era de 1ª série.
                Foi  um desafio, mas acho que só percebi isso depois, e, dessa forma, sem saber o quanto era difícil ( os recursos disponíveis eram limitados, a turma era grande, as cadeiras inadequadas para os pequeninos), trabalhei de forma tranquila e consegui alfabetizá-los.
               Atualmente trabalho com uma turma de alfabetização e, estou procurando rever meus conceitos, reestruturar a minha prática pedagógia e inovar. E isso se deve às leituras e discussões do Curso de Especialização em Educação Infantil.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

PERGUNTA BASEADA NO TEXTO "HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL BRASILEIRA" de "Moysés Kuhlmann Jr."

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE A OFERTA DE CRECHES COM AS IDÉIAS SOCIALISTAS X CAPITALISTAS?

De acordo com o texto, os pobres passaram a perceber a sua condição desfavorecida, à margem dos benefícios do milagre econômico; portanto, havia agora a necessidade de dar, de alguma forma, uma fatia do "bolo". Se isso não ocorresse, a população de baixa renda, seria um alvo fácil para as idéias comunistas.